Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

MIOLO DA IRA

Quem és tu?

Quem és tu, pretenso sábio, para me julgares?

Tu, de alma amargurada, que destilas indiferença e dor,

dor que não mata, mas magoa, desfigura e fere.

Respiras raiva, ódio, dor, despeito e agonia

e absorto, embrenhas-te a gastar tua vida

que já não sei se presta…

Fermentas a dor e amplias a tua solidão,

nessa agonia imensurável e tão nefasta.

Talvez por temeres que caia teu pano…

Talvez por temeres ver-te por outros olhos…

Talvez por sentires…

Não! Porque tu não sentes…

A tua alma exasperada arrasta-se pala vida

nesse teu destino inconfundível e bizarro.

Aras insensibilidades cortantes e infinitas.

Derretes o teu tempo agonizante

numa inebriante orgia dos sentidos,

numa qualquer noite vazia de calor e de luar

perfumada pelo cheiro macilento da borrasca infernal.

Transpira em teus poros o tempo agonizante

onde te perdes, em palavras, até mais não…

Aparências…

Talvez o pássaro branco seja a máscara da insensatez…

Afasta de mim o mal querer!

Afasta de mim a alma amargurada!

Afasta de mim a dor que desfigura e fere!

Afasta de mim a agonia nefasta!

Afasta de mim! Tudo o que esconda

afasta de mim…

Eu…

Quero apenas embriagar-me de vida e de saber,

quero apenas ver a borboleta que esvoaça meneante

voando como pena solta

na brisa doce que me envolve ao pôr do sol…

No fim de tudo, o que resta além de nada?

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 23:54
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